Comece pelo que sua empresa gastou em 2026 e descubra o que pode mudar nessa conta em 2027. Reajustes, uso dos benefícios, crescimento da equipe e até novas regras podem mexer no resultado.
Quando chega a hora de montar o orçamento de benefícios para 2027, é tentador abrir uma planilha, colocar os valores deste ano e aplicar um percentual de reajuste. Pronto, orçamento feito.
Só que, na prática, não é bem assim. Tem benefício que muda conforme o número de colaboradores, outro que depende de contrato, outro que teve pouca utilização e ainda aquele custo que ninguém lembra de colocar na conta.
Então, antes de sair fazendo conta, eu começaria pelo básico: quanto sua empresa gastou de verdade com benefícios em 2026?
Depois, a gente olha o que pode mudar em 2027, onde dá para prever aumento e, principalmente, onde vale prestar atenção para não ser pego de surpresa.
Pode pegar um cafezin e vir comigo. A ideia aqui é deixar essa planilha mais simples de entender.
O que deve entrar no orçamento de benefícios?
Antes de pensar no quanto os benefícios vão custar em 2027, coloque na mesa tudo o que a empresa oferece hoje.
Eu gosto de fazer essa primeira lista sem pensar ainda em cortar, aumentar ou trocar nada. Primeiro a gente enxerga a conta inteira. Depois decide o que fazer com ela.
Na prática, seu orçamento pode incluir:
- Vale-alimentação e vale-refeição;
- Plano de saúde e odontológico;
- Vale-transporte;
- Seguro de vida;
- Auxílio-creche;
- Benefícios de bem-estar;
- Programas de premiação;
- Reembolsos;
- Outros benefícios oferecidos pela empresa.

Antes de projetar 2027, faça um diagnóstico do pacote atual
Agora vamos voltar um pouquinho. Antes de tentar descobrir quanto você vai gastar no ano que vem, vale conferir se você sabe quanto gastou neste ano.
Parece óbvio, eu sei. Mas é aqui que muita previsão começa a desandar. Se a base de 2026 estiver errada, qualquer reajuste que você colocar por cima também vai sair errado.
Quanto você gastou de verdade em 2026?
Eu começaria pelos pagamentos que realmente aconteceram, mês a mês. Depois, compararia com o que estava previsto no orçamento.
Se teve diferença, não precisa sair procurando culpado. Vamos descobrir o motivo. A equipe cresceu? O benefício teve reajuste? A utilização aumentou? Algum contrato mudou?
Essa comparação já conta uma história boa sobre o que pode acontecer em 2027.
Uma estrutura simples já ajuda bastante:
| Benefício | Custo mensal médio | Custo anual estimado | Varia conforme uso? |
| VA/VR | R$ X | R$ X | Sim |
| Plano de saúde | R$ X | R$ X | Sim |
| Odontológico | R$ X | R$ X | Sim |
| Seguro de vida | R$ X | R$ X | Conforme contrato |
| Outros | R$ X | R$ X | Depende |
O objetivo não é criar uma planilha enorme. É ter uma base confiável para fazer a projeção de 2027.
Quantas pessoas realmente usam cada benefício?
Aqui tem um detalhe que vale a atenção: uma coisa é a quantidade de colaboradores da empresa. Outra é a quantidade de pessoas que efetivamente utiliza cada benefício.
Plano de saúde, por exemplo, pode envolver titulares e dependentes. Já um benefício de alimentação pode acompanhar diretamente a quantidade de colaboradores e o valor concedido por pessoa.
Por isso, eu colocaria esse número na planilha. Quanto mais perto da realidade ele estiver, menos sustos você terá depois.
LEIA MAIS | Gestão de benefícios: o que é e como fazê-la estrategicamente?
Existe benefício pago, mas pouco utilizado?
Agora vem uma pergunta que eu gosto bastante: esse benefício está sendo usado? Se a resposta for “pouco”, calma. Isso não quer dizer que ele precisa ser cortado amanhã.
Pode ser que os colaboradores não conheçam bem o benefício, que ele não esteja adequado ao perfil da equipe ou que simplesmente tenha perdido espaço para outras necessidades.
O importante é descobrir antes de colocar mais dinheiro nessa mesma linha em 2027.

Como projetar os principais custos para 2027
Pronto. Agora que a gente já sabe onde está pisando, podemos olhar para frente.
E aqui eu faria uma coisa importante: não colocaria o mesmo percentual de reajuste em todos os benefícios. Cada despesa tem seu jeito de crescer.
VA e VR, plano de saúde, seguro de vida e outros benefícios podem ter contratos e critérios diferentes. Então vamos separar as coisas para a conta ficar mais equilibrada.
VA e VR
Para começar, veja quanto a empresa paga hoje por colaborador e quantas pessoas recebem o benefício. Depois, confira se existe reajuste previsto e se o quadro de funcionários deve mudar em 2027.
Se a empresa pretende contratar mais gente, por exemplo, não adianta olhar só para o reajuste do valor do benefício. O número de pessoas também vai mexer nessa conta.
Também vale conferir as regras aplicáveis ao auxílio-alimentação. A Lei nº 14.442/2022 estabelece que o benefício deve ser utilizado para pagamento de refeições ou aquisição de gêneros alimentícios, conforme as condições previstas na legislação.
Voucher: o que muda no uso do vale-alimentação e refeição?
Já que estamos falando de VA e VR, vamos parar um minutinho aqui.
A forma de processamento das compras com benefícios de alimentação e refeição está passando por adaptações para atender às regras aplicáveis ao Programa de Alimentação do Trabalhador, o PAT.
Na prática, isso pode significar uma mudança simples na hora do pagamento: ao usar o saldo de Alimentação ou Refeição, o colaborador pode precisar pedir que a transação seja processada na modalidade Voucher na maquininha.

No Eva, o cartão continua sendo Visa. Para os saldos de Alimentação e Refeição, a orientação é solicitar o processamento na modalidade Voucher quando essa opção estiver disponível no estabelecimento.
Outras categorias de benefício seguem a modalidade de processamento correspondente à sua finalidade.
Então, quando estiver fechando o planejamento de 2027, vale separar duas coisas: o valor que será destinado aos benefícios e a forma como esses benefícios serão operacionalizados.
O Voucher entra justamente nessa segunda parte.
O colaborador precisa fazer alguma configuração?
Não. A mudança acontece na operação do pagamento e não exige uma configuração adicional por parte do colaborador ou do RH no cartão Eva.
O que vale fazer é comunicar a equipe. Afinal, ninguém quer chegar no caixa, ouvir “passa no Voucher” e ficar pensando: “mas que Voucher é esse?”.
Uma comunicação simples já resolve: ao usar o saldo de Alimentação ou Refeição, peça para o estabelecimento processar o pagamento na modalidade Voucher.
Plano de saúde
Plano de saúde merece uma atenção especial. Não dá para simplesmente pegar o índice de inflação e falar “pronto, está projetado”.
Olhe o histórico do contrato, a quantidade de vidas, titulares e dependentes e as condições negociadas com a operadora. Se existe alguma mudança prevista para 2027, ela também precisa entrar nessa conta.
Eu gosto de pensar assim: quanto melhor você conhecer o contrato atual, menos vai precisar chutar na hora de projetar o próximo ano.
Outros benefícios
Para os outros benefícios, faça a mesma pergunta: o que faz esse custo aumentar ou diminuir?
Pode ser o número de colaboradores, um reajuste contratual, a utilização ou alguma mudança na política da empresa.
Não precisa complicar. Se você consegue explicar para outra pessoa de onde saiu aquele número, já está no caminho certo.
Como considerar inflação e reajustes no orçamento de benefícios
Agora chegou a hora de olhar para os reajustes. A inflação pode servir como referência, mas eu não colocaria tudo na mesma caixinha.
Tem custo que vai seguir contrato, tem custo que acompanha a utilização e tem custo que pode mudar porque a própria empresa vai crescer.
Por isso, uma coisa que ajuda bastante é trabalhar com mais de um cenário.
| Cenário | O que considerar | Para que serve |
| Base | Reajuste mais provável | Planejamento principal |
| Mais econômico | Reajuste menor | Cenário de menor custo |
| Mais alto | Reajuste acima do esperado | Reserva para possíveis aumentos |
Assim, se o número vier um pouco diferente do planejado, você não precisa começar tudo do zero.
E os impostos? Entenda quais custos podem ter tratamento diferente
Aqui eu faria uma pausa no cafezin, porque essa parte merece um pouco mais de cuidado.
Benefício, salário e incentivo fiscal não são tudo a mesma coisa. O tratamento pode mudar conforme a natureza da verba, a forma como ela é concedida e as regras que a empresa precisa cumprir.
No caso do Programa de Alimentação do Trabalhador, o PAT é instituído pela Lei nº 6.321/1976 e regulamentado pelo Decreto nº 10.854/2021, além de normas complementares.
Então, antes de colocar uma economia tributária na planilha, confira se ela realmente se aplica ao seu caso.
PAT
O PAT tem regras próprias e pode gerar efeitos tributários para empresas que atendam aos requisitos previstos na legislação.
A Receita Federal também possui orientações específicas sobre o incentivo fiscal relacionado ao programa.
Por isso, essa conta precisa considerar as regras vigentes e as condições aplicáveis à empresa no momento do planejamento.
Também vale lembrar que o auxílio-alimentação tem finalidade definida em lei. Ou seja, não basta colocar o benefício no orçamento e considerar a parte financeira resolvida. A forma de concessão e utilização também importa.
LEIA MAIS | Benefícios Tradicionais e Flexíveis: Qual a Melhor Opção?
Benefícios flexíveis não significam isenção automática
Aqui eu colocaria um asterisco bem grande na planilha: flexível não quer dizer automaticamente isento.
Benefícios flexíveis podem ajudar a empresa a organizar melhor sua política e dar mais autonomia para os colaboradores. Mas o tratamento fiscal e trabalhista depende das características de cada verba e da forma como ela é concedida.

Monte uma estrutura simples de custos para 2027
Chegamos na parte em que a planilha começa a fazer sentido.
Com os valores atuais, os reajustes previstos e as mudanças esperadas no quadro de funcionários, você já consegue montar uma projeção mais realista.
Uma conta básica pode ser:
Custo projetado = quantidade de colaboradores × valor médio do benefício × número de meses + reajustes e variações previstas
Para benefícios que funcionam de outra maneira, adapte a conta às condições do contrato.
Uma estrutura simples pode ficar assim:
| Item | Base atual | O que pode mudar em 2027 | Custo projetado |
| VA/VR | R$ X | Valor + reajuste | R$ X |
| Plano de saúde | R$ X | Reajuste contratual | R$ X |
| Odontológico | R$ X | Reajuste contratual | R$ X |
| Seguro de vida | R$ X | Reajuste contratual | R$ X |
| Outros | R$ X | Mudanças previstas | R$ X |
| Total | R$ X | R$ X |
O orçamento de benefícios precisa conversar com o planejamento do RH
Essa planilha não pode ficar morando só no financeiro. Se o RH está planejando contratar, rever benefícios, mudar contratos ou oferecer novas opções em 2027, tudo isso precisa aparecer no orçamento.
Da mesma forma, se existe uma limitação financeira, o RH precisa saber antes de tomar decisões sobre a política de benefícios.
E tem mais uma coisa: mudanças operacionais, como a adoção da modalidade Voucher para transações de alimentação e refeição, também precisam chegar ao planejamento de comunicação.

Quer otimizar o orçamento de benefícios da sua empresa?
Agora que a conta está na mesa, dá para olhar com mais calma para a forma como os benefícios são oferecidos e administrados.
Os benefícios flexíveis podem ajudar a empresa a organizar melhor essa gestão e oferecer mais autonomia aos colaboradores, sempre de acordo com a política adotada e as regras aplicáveis.
Quer otimizar o orçamento da sua empresa? Conheça as possibilidades do Eva e veja como uma gestão mais simples dos benefícios pode fazer parte do planejamento de 2027.